Maria Felipa
Conhecida pela população da Ilha de Itaparica, na
Bahia, como a “Heroína Negra da Independência”, Maria Felipa teve participação
fundamental em confrontos com portugueses durante a guerra da Independência da
Bahia, entre fevereiro de 1822 a julho de 1823. Sua participação na guerra, a
princípio, era como enfermeira, mas a fama veio quando Maria Felipa liderou um
grupo de 40 mulheres contra soldados portugueses que preparavam um ataque.
Conta-se que mulheres seduziram os dois guardas que cuidavam da esquadra de
navios e, quando estavam em local isolado e nus, foram açoitados por galhos de
cansanção, planta que provoca queimaduras na pele. As 42 embarcações que
aguardavam ordens para reprimir a independência baiana foram queimadas pelo
grupo liderada por Felipa.
Luíza Mahin
Mãe do poeta e abolicionista Luís Gama – principal
fonte dos registros históricos de sua existência - Luíza Mahin foi ex-escrava e
teve papel fundamental nas revoltas dos negros que aconteceram na Bahia do
século XIX, sendo a Revolta dos Malês, de 1835, a principal delas.
Ela já foi homenageada no carnaval de 2018, pela
escola Alegria da Zona Sul, que trouxe para o desfile da Série A o
enredo “Bravos Malês – A saga de Luíza Mahin”. Apesar das homenagens,
são poucos os registros históricos de sua atuação naquela área. Não se sabe ao
certo o que aconteceu com ela após as perseguições que sofria por ser negra e
abolicionista, mas em carta, Luís Gama conta que a mãe fugiu para o Rio de
Janeiro, foi capturada e deportada de volta para a África.No desfile da
Mangueira, coube à sambista Leci Brandão representar Luíza Mahin.
Dandara
Ao contrário da princesa Isabel, que teve sua
história contada e seu rosto eternizado em pinturas que perpetuam a narrativa
sobre seus feitos para o fim da escravidão, a trajetória de Dandara possui
lacunas: seu rosto nunca foi registrado e não se sabe como eram as feições da
mulher que lutou ao lado de Zumbi pela libertação dos negros. Sem um título de
nobreza ou um sobrenome para diferenciá-la dos demais, Dandara teve papel
fundamental no funcionamento do Quilombo dos Palmares, onde participou de lutas
de capoeira para defender o território das diversas tentativas de invasão. De
acordo com os poucos registros históricos, ao lado do marido Zumbi, ela ajudou
a constituir a organização social e econômica do quilombo. No desfile da
Mangueira, Dandara foi representada pela cantora Alcione.
Marielle Franco
O nome de Marielle Franco já ecoou diversas vezes
nos últimos meses, mesmo antes do carnaval. Às vésperas de completar 1 ano de
seu assassinato, crime ainda sem solução, ela foi homenageada na passarela do
samba pela verde e rosa. A quinta vereadora mais votada nas eleições de 2016,
Marielle usou o seu mandato para denunciar excessos cometidos contra os
moradores de comunidade, como o Complexo da Maré, lugar onde nasceu e cresceu.
A vereadora, assumidamente bissexual, defendia os direitos da população LGBT,
além de levantar as bandeiras do feminismo, da luta pela igualdade racial e dos
direitos humanos. Na parte final do desfile, componentes da Mangueira levaram
bandeiras com o rosto de Marielle e de outras lideranças negras no Brasil.
Leci Brandão
Nome conhecido pelos amantes de samba, Leci Brandão
da Silva também foi lembrada pelo enredo vencedor de 2019. Brandão iniciou sua
carreira musical na década de 1970, sendo uma das primeiras mulheres
compositoras de samba do país, ao lado de nomes como Dona Ivone Lara. Leci fez
história quando, em 1972, tornou-se a primeira mulher a integrar a ala dos
compositores da Mangueira. No entanto, sempre chamou atenção por ser mulher
negra, lésbica, feminista e de origem humilde ocupando um ambiente dominado por
homens. Para além do samba, está em seu terceiro mandato como deputada estadual
por São Paulo, sendo a segunda deputada negra da história do estado. Na
Assembleia, é voz atuante na promoção da igualdade racial e na defesa das
religiões de matriz africana, além de levantar questões ligadas às mulheres,
aos indígenas e quilombolas e à população LGBTQ. Além de ter representado Luíza
mahin como destaque em uma das alegorias da Mangueira, Leci é citada na letra
do samba campeão: "Dos Brasis que se faz um país de Lecis, Jamelões".
Leci Brandão veio no carro alegórico no desfile da Mangueira.
Link
da matéria completa: https://oglobo.globo.com/celina/marias-mahins-marielles-saiba-quem-sao-as-mulheres-negras-citadas-no-enredo-da-mangueira-23505537
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Abaixo a letra da música:
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Samba-Enredo 2019 - Histórias Para Ninar Gente Grande
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Samba-Enredo 2019 - Histórias Para Ninar Gente Grande
Mangueira, tira a
poeira dos porões
Ô, abre alas pros teus heróis de barracões
Dos Brasis que se faz um país de Lecis, jamelões
São verde e rosa, as multidões
Ô, abre alas pros teus heróis de barracões
Dos Brasis que se faz um país de Lecis, jamelões
São verde e rosa, as multidões
Mangueira, tira a
poeira dos porões
Ô, abre alas pros teus heróis de barracões
Dos Brasis que se faz um país de Lecis, jamelões
São verde e rosa, as multidões
Ô, abre alas pros teus heróis de barracões
Dos Brasis que se faz um país de Lecis, jamelões
São verde e rosa, as multidões
Brasil, meu nego
Deixa eu te contar
A história que a história não conta
O avesso do mesmo lugar
Na luta é que a gente se encontra
Deixa eu te contar
A história que a história não conta
O avesso do mesmo lugar
Na luta é que a gente se encontra
Brasil, meu dengo
A Mangueira chegou
Com versos que o livro apagou
Desde 1500 tem mais invasão do que descobrimento
Tem sangue retinto pisado
Atrás do herói emoldurado
Mulheres, tamoios, mulatos
Eu quero um país que não está no retrato
A Mangueira chegou
Com versos que o livro apagou
Desde 1500 tem mais invasão do que descobrimento
Tem sangue retinto pisado
Atrás do herói emoldurado
Mulheres, tamoios, mulatos
Eu quero um país que não está no retrato
Brasil, o teu nome
é Dandara
E a tua cara é de cariri
Não veio do céu
Nem das mãos de Isabel
A liberdade é um dragão no mar de Aracati
E a tua cara é de cariri
Não veio do céu
Nem das mãos de Isabel
A liberdade é um dragão no mar de Aracati
Salve os caboclos
de julho
Quem foi de aço nos anos de chumbo
Brasil, chegou a vez
De ouvir as Marias, Mahins, Marielles, malês
Quem foi de aço nos anos de chumbo
Brasil, chegou a vez
De ouvir as Marias, Mahins, Marielles, malês
Composição: Tomaz Miranda / Ronie Oliveira / Márcio Bola / Mamá / Deivid Domênico / Danilo Firmino · Esse não é o compositor? Nos avise.
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