A Estação Primeira de Mangueira é a grande campeã do carnaval 2019. Com um belíssimo desfile, que lhe rendeu a pontuação máxima de 270 pontos na apuração, a Verde e Rosa conquistou sua vigésima estrela e confirmou sua posição entre as maiores vencedoras da festa carioca.
A vitória veio com um enredo contestador, "História pra Ninar Gente Grande", do carnavalesco Leandro Vieira, que trouxe um novo olhar para a história do Brasil, que questiona a existência de heróis esquecidos pelos livros oficiais, como, por exemplo, Chico da Matilde, o "Dragão do Mar", um jangadeiro cearense que, ao não aceitar transportar mais escravos em sua jangada, iniciou o processo que fez o estado do Ceará abolir a escravidão quatro anos antes da Lei Áurea, assinada pela Princesa Isabel.
Em brilhante texto e pesquisa da jornalista Alba Valéria Mendonça, do por tal G1, veja quem são os personagens citados no enredo e no samba-enredo de autoria de Deivid Domênico, Tomaz Miranda, Mama, Marcio Bola, Ronie Oliveira e Danilo Firmino, escolhido em outubro de 2018, e que recebeu nota 10 de todos os julgadores.
Leci Brandão: cantora, compositora e política, primeira mulher a integrar a ala de compositores da Mangueira e até hoje uma das maiores defensoras do samba.
Jamelão: engraxate e vendedor de jornais, José Bispo Clementino dos Santos ficou conhecido como Jamelão e começou a interpretar os sambas Mangueira em 1949, sendo a primeira voz da escola de samba de 1952 a 2006. O cantor morreu em 2008.
Dandara: mulher de Zumbi dos Palmares, a maior comunidade de escravos fugidos do país, em Alagoas. Ao ser capturada, em 1694, se jogou de uma pedreira para não voltar à condição de escrava. Teve três filhos com Zumbi.
Aqualtune: princesa africana, filha de um rei do Congo, que ao ser trazida para o Brasil, foi escravizada. Mãe de Ganga Zumba e avó de Zumbi, tinha conhecimentos políticos, organizacionais e de estratégia de guerra e foi fundamental na consolidação do Estado Negro, a República de Palmares.
Cariri: índios que reuniam diversas etnias que ocupavam uma grande área no Nordeste. Eles se organizaram em uma confederação e foram chamados de bárbaros.
Cunhambebe: líder indígena dos tupinambás que, no século 16, esteve à frente da Confederação dos Tamoios, revolta dos indígenas contra os colonizadores portugueses entre 1554 e 1567.
Caboclos de julho: força que expulsou as tropas portuguesas em 1823, na independência da Bahia, em 2 de julho.
Dragão do Mar de Aracati: ou Chico da Matilde, apelidos do jangadeiro cearense Francisco José do Nascimento, que conseguiu a libertação dos escravos no Ceará quatro anos antes da assinatura da Lei Áurea.
Sepé Tiaraju: guerreiro indígena brasileiro, considerado santo popular e declarado "herói guarani missioneiro rio-grandense" por lei. Chefe indígena dos Sete Povos das Missões, liderou uma rebelião contra o Tratado de Madri, de desocupação da região.
Luísa Mahin: ex-escrava de origem africana que, radicada no Brasil, tomou parte na articulação de todas as revoltas e levantes de escravos, como a Revolta dos Malês, na Bahia nas primeiras décadas do século 19.
Malê: era o termo usado no Brasil, no século 19, para designar os negros muçulmanos que sabiam ler e escrever em língua árabe. Notabilizaram-se pela Revolta dos Malês, que ocorreu em 1835, na Bahia.
José Piolho: líder do Quilombo do Piolho, no Mato Grosso, que na segunda metade do século 18, reuniu negros nascidos na África e no Brasil, índios, brancos e cafuzos (mestiços nascidos da união de negros e índios).
Tereza de Benguela: foi mulher de José Piolho. Ela se torna a rainha do Quilombo Quariterêre após a morte do marido. Sob sua liderança, a comunidade negra e indígena resistiu à escravidão por 20 anos, sobrevivendo até 1770, quando o quilombo foi destruído.
Esperança Garcia: considerada a primeira mulher negra advogada do Piauí. Em 1770, Esperança enviou uma petição ao então presidente da Província de São José do Piauí, Gonçalo Lourenço Botelho de Castro, onde denunciava maus-tratos e abusos físicos contra ela e o filho, pelo feitor da fazenda onde era cativa.
Manoel Congo: líder da maior rebelião de escravos do Vale do Paraíba. A revolta ocorreu na cidade de Paty do Alferes, sul do Rio de Janeiro. Manuel foi capturado e morreu enforcado em 1838.
Marianna Crioula: escrava nascida no Brasil. Era costureira e mucama da mulher do capitão-mor Manuel Francisco Xavier. Foi descrita como sendo a "preta de estimação" e uma das escravas mais dóceis e confiáveis. Se uniu a Manoel Congo na fuga de cerca de 300 escravos. Foi levada a julgamento e depois de ser absolvida foi obrigada a assistir à execução pública de Manoel Congo.
Acotirene: teria sido a primeira a chegar ao Quilombo dos Palmares, antes de Ganga Zumba assumir o poder. Era conselheira dos primeiros negros refugiados na Cerca Real dos Macacos – Serra da Barriga.
Carolina de Jesus: escritora brasileira, conhecida por seu livro “Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada”, publicado em 1960. É considerada uma das primeiras e mais importantes escritoras negras do Brasil.
Aleijadinho: Antônio Francisco Lisboa, mais conhecido como Aleijadinho, foi um importante escultor, entalhador e arquiteto do Brasil colonial.
Marielle Franco: nascida na Favela da Maré, na Zona Norte do Rio. Cursou uma universidade e se elegeu vereadora pelo PSOL, em 2016. Combativa, defendia as causas das mulheres, dos negros e dos moradores das favelas. Marielle foi assassinada em 14 de março de 2018."
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