"Seis anos de psicologia não superam o que se ensina lendo Dostoiévski."(Marília Hughes)
"Fazer cinema me ensinou a buscar a essência da vida."(Matheus Rocha)
Arte 1 - Falando com cineastas:
É muito legal ver os relatos de pessoas dizendo como elas descobriram o que as realizavam profissionalmente.
O que elas queriam ser.
Eu vi e ouvi o que Matheus Rocha e o que a Marília Hughes disseram.
Compartilho abaixo o que pude captar(apenas minhas anotações rápidas, não sou taquígrafa, nem gravei):
Ele iniciou querendo ser ator, antes disso queria ser diretor até descobrir que o que queria era ser diretor de fotografia.
1- Ele falando: "...Assumir que direção de fotografia era o que eu queria fazer da vida...
É muito difícil dizer o que é luz.
Ou vou para o lado científico ou poético.
Mas prefiro a luz como efeito sobre o objeto. E o movimento. Que pode criar uma expectativa do que pode acontecer. A luz com o movimento e o enquadramento é uma narrativa. Você cria espaço; drama; estado de espírito com a luz.
Pode ser ...enfim, luz, movimento e enquadramento é a narrativa.
COMO DIRETOR DE FOTOGRAFIA EU ME SINTO FAZENDO UM TRABALHO MARGINAL.
Sinto que o público de cinema não quer ter o trabalho de interagir. E os meus filmes São chamados de herméticos.
Sinto que é um público pequeno que vê como reflexão...a tv, o cinema comercial tem público e eles estão acostumados a isso. As pessoas estão se afastando da essência.
...elas fogem dessas questões. ..o Tarkovky (Andrey Tarkovsky)diz muito isso:o artista ensina as pessoas a morrerem.
Eu faço isso porque quero que as pessoas ...quando você faz cinema você busca coisas universais o que é humano. Fazer cinema me ensinou a buscar a essência da vida.
O que eu diria a alguém que se interessa por fotografia:
A beleza não está na filogenia. Tem que buscar o expressivo. O que está por traz da imagem,o mais além. É doloroso porque é autoconhecimento e autoconhecimento dói."
2- Ela falando:
"
...Rebobinar filme vhs. Não tinha mais sala de cinema. A não ser o cine Madrigal em Vitória da Conquista. Lembro que vi os trapalhões. Lembro do encouraçado potemkin, meu pai que gostava muito de cinema.
O cinema tá totalmente relacionado à vida...
Mas, em vhs que vi os filmes mais legais.
A minha escola foi os meus filmes com seus erros e acertos, e assistindo muitos filmes.
Seis anos de psicologia não superam o que se ensina lendo Dostoiévski.
Dostoiévski, você não vai ler Dostoiévski ao fazer psicologia.
Literatura e história você precisa para entender e é um autoconhecimento.
É na exibição que esse ciclo se completa.
Você tem uma intenção e chega ao público outra coisa. Isso ta dizendo de você, suas virtudes, seus defeitos têm a ver com o afetivo, esses filmes que tenho feito com o Cláudio.
...Depois da chuva é densa e exige do público uma atenção.
O público é o grande desafio e é conservador. Só gosta do que conhece.
A maioria delas só querem ver as mesmas coisas.
É muito triste imaginar um cinema igual.
A diversidade é que importa. Fora dos padrões.
É muito importante festivais de cinema; cineclubes...
Anacronismo da tv pública pra exibir.
O Estado produz mas pouco há espaço para exibir.
Porque o cinema se constrói, com certeza, no diálogo."
ps. Filme: Depois da chuva. Marília Hughes diretora.
O co-diretor e roteirista Cláudio Marques ... o roteiro começou a ser escrito em parceria com Marília Hughes.
Marina Fama