provocado pelo mote do colega Emerson Lima, meu poema:
Sobre “o caso do
vestido” de Drummond
Ah Drummond
e seu caso do vestido
(cotidianamente
chocante)
melhor seria o do
vigário.
desse poema visceral
me vêm
canções do gênioChico
como ‘minha história’,
’ mulheres de
Atenas’,
também, da peça do João,
do severino retirante,
e tantas outras
verdades
à época das mulheres
bem casadas,
treinadas para
servirem seus maridos.
só por Deus!
porque só de costumes
não se sustentavam
elas nem sempre
cediam
por isso morriam
de um jeito ou de
outro.
eram frequentes as
saídas noturnas
dos machos da cidade
ao baixo meretrício
e o perdão de toda
noite
advinha dos dogmas e
dos cânones,
dos casamentos
indissolúveis,
que, no fim,
no leito de morte
(mesmo sem pedir
perdão),
elas diziam
silenciosamente
a cada um dos seus esposos:
- siga em paz
(minha promessa foi
cumprida)
meu amor!
(sim)
uma espécie de grande
amor a este tipo de família
que o tempo vai
lapidando...
de lápide, em lápide.
Marina Fama