domingo, 14 de dezembro de 2014

o que vi no arte 1 (reapresentação 22.11.14) e me prendeu a atenção.



 "Seis anos de psicologia não superam o que se ensina lendo Dostoiévski."(Marília Hughes)

 "Fazer cinema me ensinou a buscar a essência da vida."(Matheus Rocha) 

 Arte 1 -  Falando com cineastas: 

É muito legal ver os relatos de pessoas dizendo como elas descobriram o que as realizavam profissionalmente. O que elas queriam ser. Eu vi e ouvi o que Matheus Rocha e o que a Marília Hughes disseram. 

Compartilho abaixo o que pude captar(apenas minhas anotações rápidas, não sou taquígrafa, nem gravei): 

Ele iniciou querendo ser ator, antes disso queria ser diretor até descobrir que o que queria era ser diretor de fotografia.

1- Ele falando: "...Assumir que direção de fotografia era o que eu queria fazer da vida... 
É muito difícil dizer o que é luz. Ou vou para o lado científico ou poético. Mas prefiro a luz como efeito sobre o objeto. E o movimento. Que pode criar uma expectativa do que pode acontecer. A luz com o movimento e o enquadramento é uma narrativa. Você cria espaço; drama; estado de espírito com a luz. Pode ser ...enfim, luz, movimento e enquadramento é a narrativa. 

COMO DIRETOR DE FOTOGRAFIA EU ME SINTO FAZENDO UM TRABALHO MARGINAL.  
Sinto que o público de cinema não quer ter o trabalho de interagir. E os meus filmes São chamados de herméticos. Sinto que é um público pequeno que vê como reflexão...a tv, o cinema comercial tem público e eles estão acostumados a isso. As pessoas estão se afastando da essência. ...elas fogem dessas questões. ..o Tarkovky (Andrey Tarkovsky)diz muito isso:o artista ensina as pessoas a morrerem. Eu faço isso porque quero que as pessoas ...quando você faz cinema você busca coisas universais o que é humano. Fazer cinema me ensinou a buscar a essência da vida. O que eu diria a alguém que se interessa por fotografia: A beleza não está na filogenia. Tem que buscar o expressivo. O que está por traz da imagem,o mais além. É doloroso porque é autoconhecimento e autoconhecimento dói."

 2- Ela falando: " ...Rebobinar filme vhs. Não tinha mais sala de cinema. A não ser o cine Madrigal em Vitória da Conquista. Lembro que vi os trapalhões. Lembro do encouraçado potemkin, meu pai que gostava muito de cinema. 

O cinema tá totalmente relacionado à vida... 
Mas, em vhs que vi os filmes mais legais. A minha escola foi os meus filmes com seus erros e acertos, e assistindo muitos filmes. 

Seis anos de psicologia não superam o que se ensina lendo Dostoiévski. 
Dostoiévski, você não vai ler Dostoiévski ao fazer psicologia. Literatura e história você precisa para entender e é um autoconhecimento. É na exibição que esse ciclo se completa. 

Você tem uma intenção e chega ao público outra coisa. Isso ta dizendo de você, suas virtudes, seus defeitos têm a ver com o afetivo, esses filmes que tenho feito com o Cláudio.

...Depois da chuva é densa e exige do público uma atenção. 

O público é o grande desafio e é conservador. Só gosta do que conhece. A maioria delas só querem ver as mesmas coisas. É muito triste imaginar um cinema igual. A diversidade é que importa. Fora dos padrões. É muito importante festivais de cinema; cineclubes...
Anacronismo da tv pública pra exibir. O Estado produz mas pouco há espaço para exibir. Porque o cinema se constrói, com certeza, no diálogo." 

ps. Filme: Depois da chuva. Marília Hughes diretora. 
O co-diretor e roteirista Cláudio Marques ... o roteiro começou a ser escrito em parceria com Marília Hughes.

 Marina Fama

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