sexta-feira, 3 de novembro de 2017

SATYRIANAS 2017

Dica:
Leve dinheiro (não aceita cartão) para comprar livro relacionado ao teatro, por apenas 10 reais (não sei se em todos os espaços do festival estão vendendo por esse preço). 




Pague o quanto "puder".


Ontem, vi a cena:
ps. post extraído da publicação no Facebook do CDC(Centro de Dramaturgia Contemporânea) por Paula Autran.


Críticas DRAMAMIX, Qui, 02/11

pode ver no link e transcritas abaixo:

http://www.satyrianas.com.br/criticas-dramamix-qui-0211/

_Aqui não é o Lugar Certo
 Direção: Vanessa Bruno
Elenco: Antoniela Canto e Gabriela Fortanell
Texto: Paula Autran
Praça Roosevelt – SP Escola de Teatro – Dramamix – SP
O mesmo segredo organiza as duas instâncias que definem a situação. Um possível acidente e uma possível enredação romântica tornam a cena porosa em todas as direções. As duas “viúvas” de alguma situação por nós desconhecida, de forma antagônica, estabelecem Tchecoviana atmosfera. Talvez um som de mar seja aquilo que nos conecte ao além-mar das interpretações. O peso da dupla de atrizes empresta novas configurações ao drama e estabelece uma poderosa primeira cena já começada em terreno agudo. A intensidade dos olhares elabora contornos aos diálogos e é aqui o lugar onde a montagem melhor acontece. Quando as possibilidades da trama encontram os acertos das interpretações, quando o peso das imagens esbarram na energia das possibilidades sugeridas. Engajadas em uma interpretação quase cinematográfica, as duas atrizes tornam-se a primeira camada da cena e o texto encontra aqui a sua mais importante função – possibilitar atmosferas de jogo e, não sem demarcar seu terreno, oferecer sua carga de situações. As palavras armam o ringue para os dois arquétipos que disputam a autoria de um passado enigmático e controverso. Sinto falta e sugiro, para maior complexidade da cena, um efeito menos cronológico ou novas e outras formas de exercitar o tempo-espaço da cena. Os procedimentos de montagem poderão sugerir, como no cinema, outras camadas de significado para aquilo que já está, por ora, posto pela lógica da ação. Ainda é preciso driblar a racionalidade.
por Marcio Tito
Ao construir estratégias para uma dramaturgia que se propõe próxima ao real,sejam quais os forem os níveis dessa aproximação, sobretudo se pelo diálogo, duas são as possibilidades essenciais: trazer pela palavra o desvelar narrativo ou a revelação das personagens que sustentam a narrativa. De todo modo, a palavra implica em compor por si mesma a ação de deslocamento ao desenho das personas e das ações. O modelo parece simples, mas não o é. Requer a perspicácia de não antecipar fatos ou traços, o que desmontaria o interesse de modo irrecuperável. Aqui não é um lugar certo supera os obstáculos mais complexos e conquista espaço em ambas as condições, ainda que a cena seja demasiadamente curta para tanto deslocamento narrativo. De todo modo, frase a frase, o enredo surge na mesma intensidade das duas mulheres, sem que um mecanismo se sobreponha ao outro, escapando, assim, da artificialização óbvia de gerar impactos. Ao ser mais sobre o que não é dito do que sobre o diálogo exposto, produz o efeito desejado de mistério e abertura às possibilidades próprias de cada espectador. Em poucos momentos, as palavras parecem escapar da boca e o ritmo de suas interpretações requer das atrizes dramatização exagerada. Nada que seja suficiente para nos afastar por completamente, é verdade, mas cabe uma lapidação de um pouco mais de silêncios, distâncias, olhares, tentativas, recuos e encontros. Muito disso já está presente na delicada direção de Vanessa Bruno, o que faz acreditar que se continuado a cena pode vir a ser um bom espetáculo. O dilema maior, porém, a ser resolvido é a perspectiva de uma única camada sobre aquilo que a narrativa revela ser seu tema ao final: o abuso e violência contra a mulher. Sem trazer sobreposições inesperadas, acaba por ser afirmação de um discurso que, ainda que urgente, pode ser problematizado no teatro de modo mais inesperado inclusive em seus julgamentos. Para que um tema se torne urgente independentemente de sua validade real é fundamental ser também ao exercício de construção teatral, quando assumirá a qualidade de original às vozes das artistas. É o que importa, ao final: ser radicalmente e além de tudo artistas na maneira de elaborar estéticas e conceitos, sistemas cênicos e vocabulários de interpretação. E tudo indica que isso poderá acontecer muito em breve se se permitirem irem além dos próprios objetivos.
por Ruy Filho



marina fama

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