sexta-feira, 4 de setembro de 2015

chega! basta!




Caetano Veloso, sábio, aqui inspiradíssimo porque se encaixa perfeitamente nesses dias de mundo conturbado e com os gritos de socorro que estamos ouvindo, lanço mão desse pedido pra seguir. 
E na voz da Gal, então!

Compositor: Caetano Veloso Adaptado Do Poema De V. Mayakovsky



(marina fama)







O amor

(Vladimir Maiakosvski - 1803 a 1930)



Um dia, quem sabe,
ela, que também gostava de bichos,
apareça
numa alameda do zôo,
sorridente,
tal como agora está
no retrato sobre a mesa.
Ela é tão bela,
que, por certo, hão de ressuscitá-la.
Vosso Trigésimo Século
ultrapassará o exame
de mil nadas,
que dilaceravam o coração.
Então,
de todo amor não terminado
seremos pagos
em inumeráveis noites de estrelas.
Ressuscita-me,
nem que seja só porque te esperava
como um poeta,
repelindo o absurdo quotidiano!
Ressuscita-me,
nem que seja só por isso!
Ressuscita-me!
Quero viver até o fim o que me cabe!
Para que o amor não seja mais escravo
de casamentos,
concupiscência,
salários.
Para que, maldizendo os leitos,
saltando dos coxins,
o amor se vá pelo universo inteiro.
Para que o dia,
que o sofrimento degrada,
não vos seja chorado, mendigado.
E que, ao primeiro apelo:
- Camaradas!
Atenta se volte a terra inteira.
Para viver
livre dos nichos das casas.
Para que doravante
a família seja
o pai,
pelo menos o Universo,
a mãe,
pelo menos a Terra.





Nenhum comentário: