quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

duplamente transmutada

 (um)

O que tenho pra lhe oferecer
A não ser minha voz
Minha língua falante
Meus medos superados
Minha mochila vazia
Meus momentos
Melhores guardados
No cofre do passado
E um futuro de presente
De recomeço
Sim
Lhe dou o meu futuro
Embrulhado no tapete
Da sala de estar
No meio do oceano
fora das 200 milhas
porque lá nada nos pertence
Euzinha aqui
Me ofereço em sacrifício
Para lhe ensinar aprendendo
Me desossando
(dobrando e desdobrando)
Até quebrar
depois
distribuir
olhos, coração, fígado...
enfim, o que estiver bom

por fim, as vísceras secas
à reciclagem

 (dois)

Daí me presenteio
Com corpo novinho
Sem dores,
Outro mundo,
Outros amores
Neste,
meus pedaços
picados são flores
viram pétalas
Sabores
Sons
temperos mágicos
de sentimentos
sem fim 
sem apego
 só
plenitude




marina fama

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