quarta-feira, 19 de março de 2014

em extinção

provocado pelo mote do colega Emerson Lima, meu poema:


Sobre “o caso do vestido” de Drummond 

Ah  Drummond
e seu caso do vestido
(cotidianamente chocante)
melhor seria o do vigário.
desse poema visceral me vêm
canções do gênioChico
como   ‘minha história’,
’ mulheres de Atenas’,
também,  da peça do João,
do severino retirante,
e tantas outras
verdades
à época das mulheres bem  casadas,
treinadas para servirem seus  maridos.
só por Deus!
porque só de costumes não se sustentavam
elas nem sempre cediam
por isso morriam
de um jeito ou de outro.

eram frequentes as saídas noturnas
dos machos da cidade ao baixo meretrício

e o perdão de toda noite
advinha dos dogmas e dos cânones,
dos casamentos indissolúveis,
que, no fim,
no leito de morte
(mesmo sem pedir perdão),
elas diziam silenciosamente
a cada um dos seus esposos:
- siga em paz
(minha promessa foi cumprida)
meu amor!
(sim)
uma espécie de grande amor a este tipo de família
que o tempo vai lapidando...
de lápide, em lápide.


Marina Fama

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