Olhar
de um amigo
Esse
seu olhar tão manso
no
qual às vezes descanso
‘meu
desgosto e alegria.
Lembra
os tempos de menina,
quando
brincava na esquina
de
ladrões e de mocinhos
_que
se pegavam brincando,
depois
morrendo ou matando,
no
chão rolavam sozinhos.
O
romance se fazia,
quando
então a calmaria,
do
cansaço se instalava.
_cada
um traçava um rumo,
de
nunca perder o prumo,
do
sonho, da fantasia.
Esse
seu olhar tão manso
tão
queixoso...cheio de encanto
era
tudo que queria !
_que
me bota fé no peito
_que
cobre qualquer defeito
incluindo
a covardia:
_de
assumir erro-e-engano;
_negar
direito de pranto,
prá
quem chorar, só sabia...
Esse
seu olhar calado,
parece
um retrato falado
do
que chamo poesia !
_que
de noite me convida
prá
no céu buscar a lua
e
encontrar a estrela-guia...
_que
me vira no avesso
e
guarda todo segredo,
quando
quero ser ouvida...
Esse
seu olhar tão manso,
é
meu perfeito balanço,
_de
“ficar de bem com a Vida ! ”
Antonia Fama
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