quinta-feira, 12 de janeiro de 2012


Olhar de um amigo

Esse seu olhar tão manso
no qual às vezes descanso
‘meu desgosto e alegria.

Lembra os tempos de menina,
quando brincava na esquina
de ladrões e de mocinhos
_que se pegavam brincando,
depois morrendo ou matando,
no chão rolavam sozinhos.

O romance se fazia,
quando então a calmaria,
do cansaço se instalava.
_cada um traçava um rumo,
de nunca perder o prumo,
do sonho, da fantasia.

Esse seu olhar tão manso
tão queixoso...cheio de encanto
era tudo que queria !
_que me bota fé no peito
_que cobre qualquer defeito
incluindo a covardia:
_de assumir erro-e-engano;
_negar direito de pranto,
prá quem chorar, só sabia...

Esse seu olhar calado,
parece um retrato falado
do que chamo poesia !

_que de noite me convida
prá no céu buscar a lua
e encontrar a estrela-guia...
_que me vira no avesso
e guarda todo segredo,
quando quero ser ouvida...

Esse seu olhar tão manso,
é meu perfeito balanço,
_de “ficar de bem com a Vida ! ”

Antonia Fama

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